quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Exepedição da FZB constata ossos quebrados de baleia franca enterrada no Zoo

A ossada de baleia franca, que seria a nova atração do Museu de Ciências Naturais da Fundação Zoobotânica (FZB) do Rio Grande do Sul, não entrará em exposição tão cedo. O processo de preparação da ossada terá de ser corrigido. O animal de aproximadamente 16 metros, encontrado em São José do Norte, foi enterrado em dezembro de 2010 em uma área do Parque Zoológico, em Sapucaia do Sul, para a conclusão do processo de decomposição da matéria orgânica ainda presente nos ossos.

No último dia 13, uma equipe da FZB foi ao local e constatou que, além do atraso, a forma equivocada como a baleia foi enterrada provocou a quebra de ossos (imagem abaixo). Para piorar, a terra compactou e será preciso um "trabalho de arqueólogo" para recuperar toda a ossada do mamífero que, em vida, pesava cerca 40 toneladas.

A equipe definiu, então, a construção de um recipiente adequado para receber a ossada, que será coberta por areia. Ainda não há data para a operação ser realizada. O tempo de espera após esta etapa será de mais de seis meses.

Entenda o caso

Em 2010, após ter sido descarnado, o material deveria ser acondicionado com as peças do esqueleto separadas, ordenadas e identificadas. Tudo deveria ter sido coberto com material inerte (neste caso, areia) para que o processo de limpeza dos ossos fosse concluído e a exumação facilitada.

Apesar do pedido, a construção das caixas de madeira foi negada pela diretoria da FZB à época. Menos de um quarto dos 24 m³ de areia considerados o ideal pelos técnicos foram fornecidos.
Nessas condições, a solução foi cavar uma vala para enterrar o animal nas melhores condições possíveis.

Sem a presença dos técnicos, mesmo com o buraco de 10 metros de largura e cinco de profundidade pronto e a ossada separada e ordenada na carroceria do caminhão, o então diretor do Parque Zoológico determinou que o material fosse jogado em apenas cinco metros da vala, sem qualquer cuidado. Como o solo está muito duro, não foi possível verificar a extensão dos danos à ossada.

Contraponto

A então diretora do Museu de Ciências Naturais (MCN), Maria de Lourdes de Oliveira, esclarece que "todos os esforços foram feitos para fornecer a logística e a infra-estrutura para que a operação, inédita na história do MCN/FZB, fosse concluída com êxito". Delu lembra que o conjunto de ações resultou no apoio do apoio do Exército, Brigada Militar e Prefeitura de São José do Norte.

Ela afirma que a equipe não solicitou a construção de caixas de madeira e ressalta que "tudo o que foi solicitado e estava ao alcance, tendo em vista a urgência e os recursos disponíveis, foram fornecidos", como os 24m³ de areia e 80 metros de corda de seda (20mm), solicitados pela Dra. Daniela Sanfelice, responsável pela operação.

Por fim, reconhece que ossos foram quebrados. Porém, tal constatação havia sido feita à época em que o animal fora enterrado. A falta de acompanhamento técnico quando a ossada foi enterrada justificou-se pelo mau cheiro gerado pela matéria orgânica em decomposição na área do Zoo.

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